Menu

Teste Menu 1

(Foto: Andrei Torres/ABC Futebol Clube)
Por Deoliveira Júnior

“...A soberba precede a ruína, e o orgulho a queda...” (Provérbios 16:18). Jamais que eu faria um texto antecipando um título ou comemorando uma vitória pré-jogo, a soberba não pertence ao DNA alvinegro. Mas é necessário, com todo respeito que temos ao nosso adversário que se saibam ou tenham noção de quem está do outro lado. O quão grande é o GIGANTE que eles terão que enfrentar. Poderemos até perder, mas DEIXAREMOS NOSSO SANGUE em campo. 53 vezes em que declamamos nosso hino nesse estado; 53 abraços entre gerações; 53 vezes em que cantamos com nossos antecessores alvinegros. O título estadual é o atestado de nossa supremacia nas linhas territoriais do Rio Grande do Norte. É desnecessário comprovar nossa soberania no Estado, fomos 53 vezes CAMPEÕES e NÃO ENTREGAREMOS tão fácil a quinquagésima quarta. QUEREMOS esse título, e, VAMOS buscá-lo, por toda HONRA e TRADIÇÃO que devemos manter!

Não foi um Estadual dos mais fortes, não foi um campeonato tecnicamente competitivo, tem todos os seus déficits e nem de longe se compara as glórias dos Estaduais do passado. Porém, ser CAMPEÃO ESTADUAL é uma marca registrada de TODO ABCDISTA, temos por OBRIGAÇÃO DEFENDER essa TRADIÇÃO. Devemos LOTAR o nosso campo de combate e honrar a batalha do início ao fim. SALTO ALTO nunca foi do nosso lado e NUNCA VAI SER. Entregaremos as nossas camisas em campo e gritaremos até nos FALTAR VOZ. Como dito anteriormente, a derrota pode até acontecer, mas deixaremos nosso sangue em campo. Do roupeiro ao dirigente, passando por todo time, do atacante ao goleiro, todo ABCdista vive para este momento, para atestar aquela que é NOSSA MAIOR GLÓRIA: ser o MAIOR CAMPEÃO do BRASIL.

Não precisamos mais provar o quão GIGANTE é nossa supremacia no RN, porém, sem tom de comemoração ou soberba, mas visando o futuro e olhando para frente, deveremos topar com um desafio muito maior, e aquele que eu diria ser o MAIOR DO ANO. Teremos um longo Campeonato Brasileiro, e independente do título (se ele veio ou não) devemos de vez VOLTARMOS a sermos GIGANTES além das linhas territoriais do RN. Devemos levar de novo a nossa grandeza e supremacia para além das fronteiras do nosso Estado. JÁ PASSOU DA HORA! Temos que trazer de volta o ABC ao tamanho daquilo que pensamos que ele é, e aquilo que de fato ele é: GIGANTE no CENÁRIO NACIONAL! A HUMILDADE sempre nos fez sermos GIGANTES. Devemos deixar de ORGULHO e aceitar que nos últimos anos estamos devendo e MUITO na arquibancada. Um GIGANTE não se reergue sozinho, é necessário que A TORCIDA LEVANTE esse clube e o empurrem assim como empurrou aquele carro de bombeiros até a sede na chegada do time na excursão da década de 70, se nos faltar combustível ou encontrarmos limitações, NOS SOBRARÁ VONTADE. Essa torcida que tem que voltar a inflamar! Não adianta sermos GIGANTES dentro de campo e fora dele deixarmos essa média continuar abaixo do nosso FINADO rival Temos que encarar esse fato. É REALIDADE, nos dois últimos anos tivemos médias inferiores, apesar de fora do estádio ainda sobrarmos. Não existem mais justificativas, devemos voltar a sermos GIGANTES também na nossa ARQUIBANCADA.

Independentemente de qualquer reforço que possa vir ao final do Estadual, O MAIOR REFORÇO do clube é e sempre será: VOCÊ, o MAIOR PATRIMÔNIO DO ABC FUTEBOL CLUBE. Escolha você o lado da gestão que você quiser. Tenha você o rancor ou críticas/dúvidas com a direção que quiser. Queira você o jogador A ou B, o MAIOR REFORÇO que o ABC pode ter é VOCÊ! VOLTEMOS A FAZER O NOSSO ABC GIGANTE, ou teremos eternamente um gigante adormecido dentro das linhas territoriais do RN.
(Foto: Elias Medeiros)
Por Deoliveira Júnior

Em momentos de um estadual tão entediante (arquejando a sua existência e necessidade), permita-me debruçar mais uma vez fora das quatro linhas.

Sou homem, nasci em uma cultura machista e enraizada na arquibancada. Nunca entendi o que é ser mulher e estar dentro de um estádio. Dentro das paredes de concreto sempre estamos blindados, a ferocidade do nosso fanatismo é machista, afinal futebol é “feito para macho!”. Aprendemos assim, desde as peladas de várzea, até os mais disputados campeonatos.

Não estou credenciado a erguer a bandeira feminina, nem entender tudo que suportam em um ambiente tão áspero, mas posso me enlutar de suas dores. Não, não é 8 de março, e não tem textão de homenagem. Nunca fiz distinção de torcedor dentro do estádio, dentro daquele concreto não cabe gênero aos entusiasmos. Estamos sempre dentro do mesmo manicômio, por uma única razão: o ABC. Porém, tive um pequeno motivo para me deparar sobre a distinta realidade. Tão pequeno este motivo, que ainda cabe nos braços. 3 anos apenas, para ser mais exato: minha pequena e sua primeira vez no estádio.

Na enciclopédia alvinegra do tempo, temos grandes feitos, grandes conquistas, mas – acima de tudo – grandes patrimônios – MARIA LAMAS FARACHE. Aquela que se debruçou sobre o clube e abdicou de tudo em próprio favor do Alvinegro junto ao seu marido: o simbólico Vicente Farache. Reza a lenda que Maria era quem cuidava de todo aporte necessário a delegação alvinegra, desde o uniforme até as refeições, de roupeira à cozinheira (o que era de se esperar ante as limitações de uma época tão retrógrada). Quantas Marias tivemos nesse tempo? Foi então que, pairando no tempo, me dei conta do que me levou a torcer para o ABC de verdade.

A bicicleta de Sergio Alves era irrefutável, mas a paixão de uma certa velhinha (senhora para os mais educados) foi mais fulminante e inspiradora que qualquer jogada do nosso Carrasco. O tiro foi certeiro. Normalmente os filhos sempre carregam no peito a seletividade paterna na hora de escolher seu clube, comigo não foi diferente. A paixão do meu pai nunca foi das mais empolgantes (e era de se entender pelo contexto, anos amargos), mas serviu para minha escolha. Porém, foi a tal senhora que me inspirou. Não me recordo do seu nome, só tenho em mente seus traços e suas cores. Seu jeito tímido de falar sobre a vida dava lugar ao transtorno fanático quando se colocava a palavra ABC na conversa. A velhinha era pé de rádio, sabia de Judas a Joca todo salteado. Sua paixão pelo ABC era de longe a mais fervorosa que já pude ver. Era viúva, tinha perdido o marido. E dele, toda paixão que ficou, direcionou para o ABC. E como ela o amava! O fino trato que tinha com o clube era incompreensível na minha cabeça, já que o time andava tão machucado.

Marias Pias, Deusinhas, Vanessas, Anas, Danielas, “Velhinhas”... elas sempre estiveram/estão ali e tudo que precisam é de um pouco mais de 15 minutos rebolando no gramado durante o intervalo. A participação da mulher dentro do jogo não deve se limitar a isso, não pode ser apenas uma imagem refletida no gramado de algo que nada agrega ao espetáculo (o jogo em si). Musa? Que nada, futebol é esporte, elas querem e devem estar onde quiserem, elas fazem parte do jogo, estão ao nosso lado torcendo como nós, seja na bancada ou dentro do gramado, elas devem fazer parte. Torcedor é um substantivo comum, distinto, sem gênero, sem cor, sem alma. Não lhes devemos uma camisa rosa comemorativa em uma data marcada, devemos um manto nas cores do clube que elas torcem. Devemos respeito e olhar de apreço a um companheiro/a de bancada qualquer. Gritando, berrando, pendurada em um alambrado, ou até mesmo quietinha em casa na sua cadeira de balanço ao pé de rádio, elas vivem o futebol!

A objetificação da mulher dentro do futebol, como uma figura que ilustra com sua beleza o espetáculo, deve ser repudiado! Por mais que minha hipocrisia me puna inconscientemente, não é assim que devemos tratá-las. Não é essa a parte que lhes cabe. Cabe apenas a reflexão, e com o texto fica o convite. No futebol não cabem limitações: cor, gênero, raça, idade cabem juntas dentro da mesma arquibancada e até mesmo dentro de campo. É hora de sobrepor nossas barreiras, driblar a hipocrisia e refletir sobre a presença feminina não como um objeto decorativo, mas como parte desse todo que vivenciamos dentro e fora dos estádios, o valor delas está acima disso.

Novamente, a bicicleta de Sérgio Alves foi irrefutável, não sei onde aquela velhinha deve estar hoje, mas cabe aqui o meu MUITO OBRIGADO!
(Foto: Andrei Torres/ABC Futebol Clube)
Por DeOliveira Júnior

O ano era 1996, o estádio era a rua e pelas arquibancadas dela corriam descalços várias crianças que chutavam a bola a noite inteira até cruzar as traves que sustentavam a mercearia da esquina (duas calhas de PVC que sustentavam a cobertura da garagem) no antigo Vila Verde, Querido Pajuçara. Todos corriam, festejavam, os mais velhos ironizavam, eu não entendia. Entendia que meu time jogava, não entendia por que a festa do lado de lá era melhor, e nem o valor de tudo aquilo.

Agora o ano é 2006, em uma fatídica tarde ensolarada, em que brandia a sede por futebol, tive que me angustiar perante a TV, ensurdecido, atordoado. Agora um pouco maior e pouco mais entendido das coisas, eu sabia o quão agonizante aquilo era. Em uma situação extrema estava meu time, aquele desconforto, estar sem série naquele momento, que inferno maior haveria de existir?

Cada uma dessas lembranças foram pesos fadados ao passado de cada torcedor, foram anos agoniantes, angustiantes. Porém, mais ensurdecedor que o estrondo do momento, era a soberba que precavia a queda do lado encarnado. Eu me sentia impotente em não reconhecer a existência de um rival que me levasse a sério. Foi ensurdecedor, mas não mais que o golpe que alavancou o salto e deixou com as ancas no chão a soberba encarnada, um eterno 5x2. Ele estava de volta, Gigante como o Davi arrancando a ira do Golias, eu mostrei que no Estado não são eles quem escolhem o rival.

Não fomos taticamente brilhantes, sistematicamente táticos, esquematicamente perfeitos ou qualquer outra dessas pérolas ludopédicas que referenciam hoje o futebol. Há de se saber que o time do Senhor Eugênio precisa sim de remendos, tem sido um começo de ano difícil e desgastante - em mais um primeiro semestre decepcionante fora das linhas territoriais do RN - mas não vem ao caso. Fomos consistentes do início ao fim, lúcidos (e como bem de costume) incorporamos a alcunha que nos é agraciada pelo finado rival: FUNERÁRIA. E enterramos o defunto, ou apenas jogamos a primeira pá de cal.

A todo alvinegro, de alma ainda bem lavada (ou apenas começando), vale a pena olhar para o passado, lembrar o quão foram longos esses dias, e repensar de onde viemos em toda essa caminhada; do quanto não escondemos o rosto, ou nossa identidade, nosso manto nos dias de derrota. Andamos cabisbaixos, mas jamais ressabiados, ou desmerecidos de nossas glórias do passado (e de sempre). Todo alvinegro tem sobrenome na humildade, o ABC não é um clube, É UMA IDENTIDADE. E no Estado, quem escolhe rival somos nós, preencham a ficha e nos procurem, PROCURA-SE UM RIVAL.
(Foto: Frankie Marcone/ABC Futebol Clube)
Eu vinha construindo o título dessa semana com toda intenção de burlar o sentido enunciado dessa frase, nobre amigo. Mas nunca fez tanto sentido a duplicidade de minha intenção após a acachapante (humilhante, atordoada, depressiva, enfim) derrota diante o Guarani/SP neste fatídico domingo (23). Já que dormir é um árduo exercício após essa humilhante situação, deixe-me descarregar às penas o pouco de sobriedade que me resta. O Mané que tentei me referir, em primeiro caso, não é aquele mané propriamente dito e cantado na letra de Bezerrão, de alcunha depreciativa e que representa a figura de um cara sem malícia, que só faz asneiras, deslocado da realidade (um tapado, na nossa linguagem). Jones, salvo as devidas (e gigantes) proporções (muita calma nessa hora), foi para mim - no ano de 2016 - um rascunho de outro Mané, aquele mesmo das pernas tortas, que nos agigantava em sorrisos com seus dribles desconcertantes, sua velocidade fulminante e a precisão na finalização das jogadas. Após uma chegada desconfiada e bastante criticada, o maravilhoso ano em que se encontrava Jones, preparava para ele o enredo dourado, uma grande história de superação, acariciado pelos mais fervorosos, um nome de peso nesse elenco, artilheiro de toda competição, um cara sem estrelismo NENHUM! Nome contado como certo pela torcida em critério de renovação para 2017. Um cara sem igual, pulmão para marcar e pulmão para deixar zagueiros e laterais na saudade, no rastro da chuteira.

Cabe aqui um singelo registro: sempre me lembrarei do gol de Jones ao finalzinho do jogo contra o Remo/PA. Ele veio correndo por trás da jogada e atento à roubada de bola, o passe curto que lhe foi dado, e - como aos minutos finais de jogo, ele tirou todo aquele gás, transpassando entre os dois zagueiros em uma velocidade engatada em marcha máxima - os próprios zagueiros instantaneamente deveriam ter se olhado de olhos esbugalhados se perguntado “DE ONDE TERIA SAÍDO ESSA RESERVA TODA? ”. Genial, quando em minutos antes eu mesmo havia reparado que o mesmo já se arrastava em campo, ele desmontou meu argumento em um momento registrado em minha curta memória dessa Série C de 2016. Assim era o Jones.

Pois bem, coube ao primeiro Mané, aquele mesmo do Bezerrão, puxar o tapete e assumir a direção do volante de agora em diante, justo hoje, justo agora. Sim, não foi o mané que eu queria ver, mas Jones - além de irresponsável - carregou o fardo de ter sido um completo MANÉ em sua expulsão no jogo de hoje (ontem, anteontem, ou ano passado, depende de quando você estará lendo). De longe, a mais infantil e digna de total estranheza pela torcida (se não me falha a memória, a primeira por sinal). Não vou covardemente achar culpados ou apontar os cúmplices da chacina, mas o peso da expulsão diante de toda tragédia que foi esse jogo, ficou marcada como a alma desse time nessa noite, SEM BRIO, APÁTICO, UM TIME DE MANÉS, UM TIME DE COVARDES! O Roteiro ficou desbotado e o cartão de “boas-vindas” para 2017 vai ficar marcado com essa displicente, vexatória, injustificável (eu já não encontro mais palavras) derrota. Desmancharam meus heróis em 2016, quebraram os capítulos finais de um enredo belo que veio sendo construído de forma única, perfeita e com uma história de superação marcante. Sabotaram minha alegria em 2016, ligaram meu alerta para 2017, mas não apagaram meu orgulho e o amor que tive por essas cores este ano. Eu vi o meu ABC se reerguer novamente e construir uma história das mais belas de 2016 (mas isso é história para outra hora).

Não sei o que esperar de 2017. Não sei o que pensar desse elenco ainda, não consigo achar uma definição, o misto de gratidão e raiva ainda é grande dentro de mim e em cada alvinegro. Por hora, irei me resguardar ao segundo Mané, o cara que surgiu nas semifinais contra o Alecrim/RN e que despontou com todo time nessa arrancada da Série C como o artilheiro do time e da competição. Um cara de poucas palavras e de muita ação. Um cara que foi lembrado pelo próprio Lúcio Flávio como um dos futuros desse elenco ao lado de Erivélton, a quem tentou plantar a semente de comprometimento e humildade. Resta-me o alento e pensamento: “Ah, Jones, se soubesses o quanto torci por ti, o quanto esperei olhar para o álbum de 2016 e ver teu nome marcado na história alvinegra, fintarias como o engenhoso MANÉ e correrias contra o tempo para acertar tudo que o Mané dessa noite me fez passar. ”

Por DeOliveira Jr.


No panteão romancista do futebol, existe um seleto grupo de raros jogadores que ainda arquejam os últimos suspiros de um futebol comprometido, sério e avesso a gourmetização marqueteira que temos vivenciado. Jogadores como Alex (Coritiba/PR), Zé Roberto (Palmeiras/SP), Rogério Ceni (São Paulo/SP), Grafite (Santa Cruz/PE), Juninho Pernambucano (Vasco/RJ), entre outros, um panteão clássico de jogadores que vivem uma ideologia por trás da camisa que vestem (vestiam) e não apenas se entregam ao valor agregado ao seu passe e a lei de procura/oferta de mercado em que se tornou o futebol. Sempre quis ter um jogador desses assim no meu time, e confesso que quando se entoou pelos arredores da Frasqueira a chegada de Lúcio Flávio ao Alvinegro, eu claramente me empolguei,. Não teríamos um craque em potencial, mas teríamos o exemplo de comprometimento que faltava a este time e que sempre esperei, principalmente após o surrado ano de 2015 - em que apanhamos não somente da bola mas da falta de amor próprio.

E o primeiro gol foi marcado fora das quatro linhas logo após a sua anunciada chegada. Lembro-me que várias supostas contratações desaguaram rio abaixo no início do ano e deixaram a Frasqueira enraivecida e desapontada com o despreparo da atual diretoria e seus fracassos nas tentativas de construção do elenco (qualquer rusga ou simples desfeito se tornara um verdadeiro pandemônio diante dos resquícios da tragédia de 2015). Algumas contratações dadas como certas não se concretizaram em vésperas, o que irritou e muito a torcida, que começou a desconfiar da imediata contratação do meia vindo do Coritiba/PR. Diante de todo este cenário, Lúcio Flávio honrou com sua reputação e mesmo com o filho adoecido, necessitando de seus cuidados, viajou até Natal/RN para acalmar os ânimos fervorosos da Frasqueira e nos deu o ar de sua graça, retornando no dia posterior aos seus compromissos familiares. “Sim amigos, o futebol ainda vive”, balbuciei.

Os anos de ouro a frente do Botafogo/RJ, tornaram-se daí em diante pensamentos em loops infinitos nos sonhos alvinegros. O carma que o meia teria que carregar em cada desembarque ou chegada, seja qual clube fosse, por aqui, não seria diferente. A alcunha de MAESTRO era inevitável, termo ao qual sempre repugnei e não ouso condecorá-lo. Maestro de manto alvinegro é um termo eternizado e reverenciado na memória a outro grande gênio - DANILO MENEZES. Eternizado na ponta do lápis por um gênio fora das quatro-linhas, o jornalista Rubens Lemos Filho, no seu livro: Danilo Menezes – O último Maestro. Sempre me neguei a usar tal termo. Se Lúcio é um maestro, que alcunha este que vos fala se atreveria a dar a um monstro como Danilo? Principalmente depois que eu o conheci pessoalmente e comprovei de perto em suas histórias tamanho caráter que o mesmo detinha na batuta alvinegra, um homem de altivez e integridade ímpar. Muitos dirão que MAESTRO podem existir vários, mas nesse caso, amigos, permita-me discordar, prefiro preservar a eternidade desta alcunha ao maior de todos que já tivemos: o MAESTRO Danilo.

Na gíria boleira popular, o pianista é aquele jogador do meio-campo que carrega o time, aquele que não joga para si mesmo e que faz o time jogar. O cara que carrega o piano na orquestra sinfônica do gramado, esta sim, sem depreciação ou valorização exorbitante, é a alcunha que ouso condecorar, diria sim, que na orquestra do MAESTRO Danilo, Lúcio Flávio é o PIANISTA titular, uma honra homérica e singular (sem intenção da rima cretina).

Descrever toda passagem do nosso PIANISTA não seria uma crônica das mais festivas e perfeitas. Tivemos graves momentos de entreveros, preocupações e questionamentos desde sua chegada, tivemos um primeiro turno no estadual fadado ao descenso e a uma extensão de calafrios com gostinho ainda de 2015. “Será que acertamos ao trazer esse cara? Ele já não merecia um banco? Entrar com Lúcio Flávio é jogar com menos 1”, pensamentos como estes ecoaram diversas vezes da arquibancada e colocaram em um momento bastante crítico a grande contratação do ano até então. O filme teve seu roteiro conhecido por todos, e o estadual voltou as mãos daquele que o deteve por mais vezes na história. Não estenderei a narrativa por tudo que aconteceu até os dias atuais, não fadigarei seus olhos cansados, superação foi um RG credenciado desse time e de tantas outras histórias desse elenco. Em suma Lúcio Flávio nunca foi unanimidade em nossa torcida, sua importância tática por inúmeras vezes passou despercebida pelos nossos olhos (mesmo afirmada por Geninho), apesar de toda construção de jogada passar pelos seus pés,  mas posso resumir os grandes momentos que vi do nosso PIANISTA em três pontos:

1.   A prova já relatada aqui da sua contratação mesmo ante os problemas pessoais que passava, nos dando como cartão de boas-vindas seu comprometimento e zelo para com o clube já esperado;
2.  No jogo de ida contra o Fortaleza/CE, mesmo sendo vetado pelo Departamento Médico, Lúcio Flavio se pôs à disposição do elenco e viajou para a partida, sendo peça fundamental no empate consagrado;
3.  Esse é mais recente (e sou grato por isso): a noite iluminada ante o Guarani/SP, em que tivemos o mesmo coroado com uma partida magistral e dois gols da sua especialidade que até então não nos tinha sido premiada, cobranças de falta.

Enfim, posso dizer que sou feliz em ter visto um Lúcio Flávio vestir a camisa do meu time uma vez na vida, diante da escassez de jogadores assim relatada anteriormente. Fico triste por não tido tempo o suficiente para uma consagração maior, uma identidade maior, um status definitivo de ídolo no panteão Alvinegro (há controvérsias, mas, eis a opinião deste que vos escreve) e torço para que os laços criados sejam mantidos em um futuro breve. Creio que para o mesmo, diante do planejamento que tem para sua carreira, opte por não disputar mais campeonatos com desgastes maiores, e temo pela permanência do mesmo para uma Série B, o que evitaria também um desgaste em fase final que não acarretaria em um final digno da carreira que o mesmo consolidou. Lúcio é de uma lucidez e humildade genial e acredito que seu legado maior será perpetuado na geração que acolheu e vivenciou de perto sua genialidade, que sua história possa ter inspirado aos que ficam e que ainda tem toda uma carreira a percorrer.

Por DeOliveira Júnior.